Em setembro, a indústria brasileira de fundição produziu 194.332 t, o que corresponde a uma alta de 2,3% em relação ao mesmo mês de 2018.
No ano, o setor acumula 1,77 milhão de toneladas fundidas; 2,6% mais do que nos nove primeiros meses de 2018. Em relação a 2017, a alta é de 6,3%.
O ferro fundido lidera a produção no país (1,42 milhão t), seguido do aço (199.452 t) e dos metais não ferrosos (146.822 t).
O principal destaque, no entanto, é a alta acumulada dos aços fundidos, que totaliza 12,3% até setembro. No comparativo com 2017, o percentual de crescimento é ainda maior: 43,6%.
| Tabela 1 – Produção de peças fundidas em setembro de 2019 e comparativo interanual da produção acumulada (Jan-Set 2019/2018). | ||||
| Metal | Setembro 2019 | Jan-Set 2019 (t) | Jan-Set 2018 (t) | 2019/2018 (%) |
| Ferro | 156.150 | 1.424.878 | 1.393.811 | 2,2 |
| Aço | 21.587 | 199.452 | 177.651 | 12,3 |
| Não ferrosos (total) | 16.595 | 146.822 | 155.010 | (5,3) |
| Cobre | 1.847 | 15.725 | 15.700 | 0,2 |
| Zinco | 98 | 881 | 869 | 1,4 |
| Alumínio | 14.230 | 126.436 | 134.661 | (6,1) |
| Magnésio | 420 | 3.780 | 3.780 | – |
| Total | 194.332 | 1.771.152 | 1.726.472 | 2,6 |
O mercado interno foi o principal consumidor dos fundidos produzidos em setembro (164.323), o que equivale a 84,5% do total.
No ano, a demanda interna de fundidos já soma 1,48 milhão t. Este volume representa 83,9% do total produzido em 2019.
No comparativo interanual (2019/2018), a alta do consumo interno de fundidos no Brasil é de 3,8%, considerando os meses de janeiro a setembro.
Por outro lado, as exportações seguem no sentido oposto. Entre janeiro e setembro, 284.117 t de fundidos foram exportadas, ou seja, 16% da produção acumulada de 1,77 milhão t.
Na comparação interanual (2019/2018), a queda dos embarques até setembro foi de 3,2% em relação a 2018 (em peso). Em valores, o recuo foi de 6,0%.
Nos números detalhados nas tabelas 2 e 3, mais uma vez o aço chama a atenção, com o crescimento dos embarques tanto em peso (16,4%) quanto em valores (27,7%), o que explica a alta de 12,3% da sua produção em 2019 (24.061 t).
| Tabela 2 – Exportações de fundidos (em peso) em setembro de 2019 e comparativo interanual das exportações acumuladas (Jan-Set 2019/2018). | ||||
| Metal | Setembro 2019 | Jan-Set 2019 (t) | Jan-Set 2018 (t) | 2019/2018 (%) |
| Ferro | 27.353 | 254.919 | 267.924 | (4,9) |
| Aço | 2.375 | 25.209 | 21.659 | 16,4 |
| Não ferrosos | 281 | 3.989 | 3.975 | 0,4 |
| TOTAL | 30.009 | 284.117 | 293.557 | (3,2) |
| Tabela 3 – Exportações de fundidos (em valores) em setembro de 2019 e comparativo interanual das exportações acumuladas (Jan-Set 2019/2018). | ||||
| Metal | Setembro 2019
(mil US$ – FOB) |
Jan-Set 2019 (mil US$ – FOB) | Jan-Set 2018 (mil US$ – FOB) | 2019/2018 (%) |
| Ferro | 59.336,0 | 469.096,3 | 517.067,6 | (9,3) |
| Aço | 7.248,7 | 63.884,7 | 50.034,0 | 27,7 |
| Não ferrosos | 559,8 | 10.135,8 | 10.606,0 | (4,4) |
| TOTAL | 67.144,5 | 543.116,7 | 577.708,5 | (6,0) |
Para atender à demanda de fundidos em setembro, o setor empregou 55.922 colaboradores, com uma produtividade de 41,4 t/h.a.
Previsões
Para um prognóstico o mais próximo possível da realidade, antes de mais nada é preciso analisar o perfil setorial dos principais consumidores de fundidos no país, que historicamente é liderado majoritariamente pelo segmento automotivo, embora o seu percentual, que já chegou a 58%, venha caindo, estando atualmente em 50,4%. O gráfico apresentado traz estes números atualizados.

Segundo a ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, as vendas internas de autoveículos devem ficar em 2,8 milhões de unidades, o que equivale a um crescimento de 9,1% sobre 2018.
Para a indústria de fundição, a boa notícia é que o crescimento estimado do setor de pesados é de 35%, ultrapassando a marca de 100 mil unidades vendidas.
A produção de autoveículos, no entanto, deverá aumentar bem menos do que as estimativas iniciais, em função principalmente da queda das exportações para a Argentina. A última previsão divulgada pela ANFAVEA falava em uma alta estimada de 2,1%.
Diante destes impasses, a ABIFA está revendo a sua previsão inicial de crescimento de 7%, que certamente será afetado não pela recuperação do mercado interno, que está reagindo positivamente em todos os setores da economia, mas sim às exportações, conforme apontamos.
