A ABIFA tem se mantido em alerta constante sobre os riscos associados à importação desenfreada de produtos fundidos e à necessidade de defender a competitividade da indústria nacional. Nos últimos meses, com especial destaque para o biênio 2024/2025, em diferentes ocasiões a entidade publicou análises setoriais, assinou manifestações coletivas com outras instituições e divulgou dados sobre a relação díspar entre produção, importações e exportações, reforçando sua preocupação com a sustentabilidade do setor de fundição no Brasil.
Destacamos abaixo algumas das principais manifestações da ABIFA a esse respeito, que reforçam o nosso compromisso com a liderança do setor de fundição nacional, em defesa de sua soberania e de seus interesses:
Editorial: alerta contra importações crescentes
Em dezembro de 2024, o editorial “Basta à importação desenfreada: a fundição precisa ser preservada”, assinado pelo presidente da ABIFA, Sr. Cacídio Girardi, foi publicado na Revista Fundição & Matérias-Primas. Neste texto, Girardi alertava que a produção nacional de peças fundidas enfrentava forte concorrência de importações, que chegaram a quase 99,3% do volume produzido no país no acumulado do ano analisado.
Na ocasião, a publicação destacou que esse cenário representava um risco para a sobrevivência de empresas nacionais e defendeu políticas públicas mais favoráveis à produção interna, incluindo medidas fiscais e de defesa comercial. (clique aqui para ler)
Em fevereiro de 2025, um “Alerta para importações em alta – como revertê-las?” também era publicado no editorial da RFMP, assinado pelo Sr. Girardi. Nele, o presidente da ABIFA afirmava: para reverter esse cenário, seria necessário “investir em tecnologia e inovação; formação e capacitação de mão de obra, melhoria da infraestrutura, redução da burocracia e do Custo Brasil, e apoio a pequenas e médias empresas no sentido de aumentar sua capacidade produtivas” (clique aqui para ler).
Produção de fundidos vs importações
A cada mês vigente, durante as plenárias realizadas pela ABIFA junto às Associadas, o tema do aumento das importações também esteve presente nas apresentações realizadas pela gerência executiva da entidade, com especial destaque para dados contextualizados nos boletins informativos.
Em setembro de 2025, por exemplo, a ABIFA divulgou dados sobre a produção de fundidos no mês anterior, mostrando que a produção brasileira teve queda de 4,5% em relação a julho, e de 5,6% frente a agosto de 2024 (clique aqui para acessar). Tais indicadores foram apresentados em um cenário em que a produção interna enfrentava dificuldades de ritmo frente às oscilações do mercado, que também incluíam concorrência de importados e dinâmica de consumo interno.
No mês seguinte, a ABIFA publicou o boletim estatístico intitulado “No acumulado jan-set/2025, produção de fundidos se equipara ao volume importado”, indicando que, no acumulado de janeiro a setembro, a produção de fundidos no Brasil se assemelhou, em termos percentuais, às importações, reforçando a percepção de que seu crescimento se realizava em ritmo similar ao da produção local, o que poderia reduzir margens e pressionar empresas nacionais. (clique aqui para ler)
Manifestação conjunta em defesa comercial nacional
Também em outubro de 2025, a ABIFA assinou, junto a outras 36 entidades industriais, uma manifestação do Fórum Nacional da Indústria (FNI) ao Senado Federal em prol da defesa comercial para a indústria brasileira.
O texto da manifestação alertava para os riscos presentes no Relatório Substitutivo ao PL 4.423/2024, que eliminava a aplicação de medidas antidumping e compensatórias nos regimes aduaneiros especiais e aplicados em áreas especiais de Drawback Suspensão, de Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), na Zona Franca de Manaus (ZFM), nas Áreas de Livre Comércio (ALC) e em Zonas de Processamento de Exportação (ZPE).
Tal ação institucional é um dos exemplos de como a entidade não apenas monitora os efeitos das importações e das exportações, mas participa ativamente de esforços coletivos para influenciar políticas públicas que protejam setores industriais estratégicos frente à concorrência externa. Para ler a manifestação na íntegra, clique aqui)
Taxação dos EUA: ameaça para a exportação
Se, por um lado, o aumento das importações representa uma ameaça à sustentabilidade da fundição nacional, por outro, a taxação aos produtos exportados pelo Brasil surgiu como um agravante complementar a este cenário, que ameaça com veemência o comércio exterior de fundidos. Nesse sentido, o anúncio das tarifas vindas dos Estados Unidos, promovidas pelo governo Trump em 2025, também esteve no cerne das preocupações da ABIFA, que se posicionou na linha de frente, junto as outras entidades, para reverter este quadro.
Neste cenário, a ABIFA realizou uma pesquisa entre suas Associadas para mapear os impactos do tarifaço e se manifestou publicamente sobre o tema, endossando a posição da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em carta pública assinada pelo presidente Sr. Cacídio Girardi (clique aqui para ler).
A CNI, por sua vez, reconheceu o gesto da ABIFA, enviando uma carta de agradecimento em nome do seu presidente, Sr. Ricardo Alban (clique aqui para ler)
Reportagens especiais
As relações da indústria nacional de fundição com o comércio exterior também estiveram presentes nas páginas da Revista Fundição & Matérias-Primas que, além das notícias sobre temas correlatos, publicou duas reportagens especiais com foco no tema e seus desdobramentos: em julho, “Tarifas nas fronteiras” debateu os impactos do tarifaço norte-americano (clique aqui para ler); em agosto, “Em busca de novos mercados refletiu sobre as estratégias para identificar novas oportunidades comerciais (clique aqui para ler); em novembro, “A desindustrialização do Brasil” alertou para o fenômeno e destacou que, uma de suas causas, eram as importações desenfreadas (clique aqui para ler )
Diante desse contexto, a atuação da ABIFA se consolida na defesa da indústria nacional de fundição. Mais do que acompanhar indicadores e divulgar análises, a entidade exerce um papel estratégico de liderança, articulação e representação institucional, mobilizando o setor, dialogando com o poder público e construindo pontes com outras organizações industriais.

